quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Por estradas decentes

Audiência pública em Caraá debateu 
precariedade da estrada de acesso a Santo Antônio da Patrulha 

A morosidade da conclusão das obras do acesso asfáltico entre os municípios de Caraá e Santo Antônio da Patrulha foi tema de audiência pública promovida ontem (25) pela Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa na Câmara de Vereadores de Caraá, no litoral gaúcho. O encontro proposto pelo deputado Sergio Peres (PRB) reuniu representantes do poder público estadual, lideranças locais e moradores dos dois municípios que reclamam das más condições de trafegabilidade do trecho que compreende 8,5 km da RS-30 ao AM-10.

Peres propôs a formação de uma frente parlamentar na Assembleia para tratar do tema e lembrou que em mais de 100 municípios gaúchos há obras inacabadas por falta de recursos. Ele confirmou a apresentação de emenda à Lei Orçamentária de 2016 (PL 342/2015), assinada com os deputados Gerson Borba e Marcel Van Hattem, ambos do PP, propondo a destinação de R$ 10 milhões para a pavimentação do trecho. 


Natural de Caraá, o parlamentar recebeu de moradores um documento explicando que uma obra de recuperação foi iniciada em maio de 2010, paralisada em janeiro de 2011 e retomada em agosto do mesmo ano. Os trabalhos foram novamente interrompidos em junho de 2012 e, desde então, foram realizadas obras de nivelamento e de terraplanagem. No último procedimento, foram utilizados piche e brita, resultando em poeira preta espalhada pelos veículos que trafegam no local. "Chegando à cidade vemos casas totalmente fechadas em função do excesso de pó. Além disso, o desenvolvimento econômico está comprometido na região por dificuldades de escoamento da produção local", observou. De acordo com autoridades locais, os municípios têm sacrificado 30% do PIB em função da precariedade da estrada.

Saúde pública comprometida por poeira tóxica

Empresários, lideranças e moradores presentes à audiência alertaram que os danos não são somente econômicos. Para eles, a concretização da obra deverá melhorar as condições de saúde da população, que atualmente convive com uma poeira considerada tóxica. “É um pó venenoso terrível, que impede as pessoas de saírem de suas casas. Vamos ao limite das nossas forças para conquistar a conclusão das obras, pois estamos buscando mais que um asfalto; hoje lutamos para garantir o nosso direito de respirar”, protestou o professor Telmo Gomes. “Temos sido ouvidos pelo governo estadual em diversas audiências e reconhecemos o respeito à nossa causa, mas precisamos ser atendidos”, apelou o líder comunitário.

O prefeito de Caraá, Silvio Miguel Fofonka, lembrou que dos 23 municípios do litoral, apenas Caraá não dispõe de asfaltamento na rodovia que tem tráfego intenso, onde circulam caminhões com alimentos e veículos transportando pacientes. Ele também revelou que, por recomendação médica, muitas pessoas pretendem mudar de cidade. “Sabemos das dificuldades financeiras do Estado, mas apelamos para a sensibilidade do governo com uma situação que não é só de entrave ao desenvolvimento econômico, mas que tem causado danos irreparáveis à saúde pública. Queremos que o Estado nos olhe como cidadãos e como seres humanos e esperamos que haja decisão política para solucionar essa questão que se arrasta há tanto tempo”.

O vereador de Santo Antônio da Patrulha Josemar Raimundo Bandeira (PDT) defendeu que é preferível que se inicie fazendo 2 km de asfalto de boa qualidade ao invés de jogar material em todo o trecho, o que, segundo ele, não tem resolvido o problema. “Pedimos que comecem fazendo só uma parte então, mas que façam bem feito, porque do jeito que está a gente desanima”, desabafou.



O ex-prefeito de Caraá Nei Pereira acredita que o município será contemplado no ano que vem. “E não será para 1.800 metros, mas para mais que isso. Temos cobrado faz tempo a resolução desta situação que tem nos trazido prejuízos, pois ninguém de fora quer colocar seu carro na nossa estrada”.


O coordenador da 16ª Superintendência Regional do DAER, Nelson Haeser adiantou que o contrato que dispõe sobre a conclusão da obra foi atualizado. “O projeto foi refeito, especialmente no que diz respeito a aspectos formais e de fiscalização ambiental. A questão agora envolve a alocação de recursos para implementar a obra”, esclareceu.


O assessor da Casa Civil Charlis Santos reiterou que o Poder Executivo reconhece que é uma prioridade e está fazendo esforço para concluir o trecho, mas que hoje “não podemos dar garantias nem prazos”, avisou. Segundo Santos, dependerá da análise da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), de competência da União. “Acreditamos que seja para 2016 e adiantamos que todas as etapas serão efetivadas com máxima clareza e transparência, seja qual for a origem do recurso”, ponderou.

A vereadora de Santo Antônio da Patrulha Nelci Willborn Nunes Pereira (PTB) comentou sobre as condições de moradia na localidade de Arroio do Cartuxo. “Lamento morar em um local onde é impossível ter qualidade de vida. Pedimos que enquanto o asfalto não sai, que pelo menos se encontre uma maneira de amenizar os efeitos que o pó tem causado”, solicitou a parlamentar, lembrando que a situação deverá agravar-se com a proximidade do verão.

Também participaram da audiência os vereadores de Caraá Edilson Fraga da Silva (PP), Cláudio Luis Sana (PMDB) e João Luiz da Cunha (PMDB); o vice-prefeito de Caraá Evandro Dürr; o representante da Metroplan, Ronei Borba; o coordenador da 21ª Coordenadoria Regional da Secretaria de Obras, Saneamento e Habitação do Estado, Luzardo Cardeal; o capitão Delamar Flebbe, do Comando da Brigada Militar; o representante do movimento Asfalto Já, Antônio Correa Gomes e representantes da comunidade.

Fonte: Jorn. Karine Bertani - MTE 9427 
Assembleia Legislativa RS

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